Drama
Seis meses após diagnóstico de câncer de mama, mulher ainda espera pelo início do tratamento
Depois de várias remarcações, a consulta marcada para a próxima sexta-feira foi cancelada sem previsão de nova data; durante o tempo de espera o nódulo aumentou de 1,3 centímetros para 2,4
Foto: Volmer Perez - DP - Marisa mostra exames que dão o demonstrativo do crescimento do nódulo
Diagnosticada em setembro com um tumor na mama, Marisa Fernanda Mendes, 63 anos, recorreu à saúde pública o mais cedo possível para iniciar o tratamento. Devido ao tempo de espera para a realização dos exames, a aposentada arcou com todos os custos das análises para agilizar o processo. Mesmo assim, seis meses após o diagnóstico ela ainda não conseguiu acesso às sessões de quimioterapia. Durante esse período, o nódulo cresceu 1,1 centímetros, agravando o caso que inicialmente tinha um alto índice de cura.
Conforme Marisa e a filha Samanta Borba, desde o início da busca por atendimento, elas só receberam a atenção adequada na Unidade Básica de Saúde (UBS) que encaminhou a paciente para a realização do tratamento no Hospital Escola da Universidade Federal de Pelotas (HE-UFPel). A partir disso, em outubro, a aposentada conseguiu marcar a primeira consulta com oncologista somente para dezembro. Já em janeiro, Marisa foi atendida por um mastologista, que requisitou novos exames ao constatar o aumento do tumor e o retorno que seria para fevereiro foi remarcado para 15 de março.
Com ultrassonografia pronta, a paciente recebeu uma ligação na segunda desmarcando a consulta, mas sem a informação sobre uma nova data de atendimento. Diante do cenário, a doença acelera e a mulher aguarda outro telefonema para iniciar as sessões de quimioterapia. “É horrível. A gente fazendo de tudo para que as coisas se resolvam, pagando os exames mesmo não tendo condições, damos um jeito para agilizar e até agora nada, só as consultas sendo remarcadas”.
De acordo com a filha, as duas já desembolsaram mais de R$ 2,5 mil, realizando parcelamento e solicitando dinheiro emprestado. Temendo pela evolução do câncer, Marisa lamenta que o caso se tornou um quadro de mastectomia. “Deu uma emergência de uma cirurgia e de eu perder uma mama, ainda tenho esperança que o médico diga que não vai ser necessário”.
Indignada com a situação pela qual a mãe tem passado, Samanta publicou um texto nas redes sociais reclamando da demora do atendimento público. A postagem chegou ao médico que realizou a biópsia, que sensibilizado com a situação chamou a aposentada para uma nova consulta, constatando o aumento do tumor e necessidade da realização de cirurgia. “Ai ele disse para ela que não poderia mais salvar a mama. Não precisava que ela fosse mutilada [caso já tivesse em tratamento]”, conta Samanta com os olhos cheios de lágrimas.
Cirurgia e tratamento
Diante da situação o profissional ofereceu a realização da mastectomia de forma gratuita, sendo necessário o custeio somente dos gastos de internação, atualmente elas juntam dinheiro para a despesa através de rifas. O procedimento deve ocorrer na próxima terça-feira, mesmo assim não exclui a preocupação atual, já que o tratamento com quimioterapia após a cirurgia pode ser necessário por anos até a remissão total. “A minha preocupação agora é o pós-cirúrgico de eu ter o atendimento necessário para fazer o tratamento”, diz Marisa.
A reportagem entrou em contato via assessoria de comunicação com o Hospital Escola da UFPel questionando os motivos da demora para o início do tratamento de Marisa, mas até o fechamento desta edição, não obteve retorno.
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